Advogado de um dos réus não compareceu ao Júri e terá que pagar 60 salários mínimos. Crimes ocorreram em fevereiro de 2016 em Cujubim.

Júri de fazendeiro e policiais que mataram jovem queimado é suspenso, em RO

O julgamento de cinco acusados de estarem envolvidos nos assassinatos dos jovens Ruan Lucas Hildebrandt, de 18 anos, e Alysson Henrique de Sá Lopes, de 23, foi adiado na manhã desta terça-feira (15), em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari. Conforme a 1ª Vara Criminal da Comarca, um dos advogados contratados para fazer a defesa de um dos réus não compareceu ao Fórum e o Júri Popular foi suspenso pelo juiz.

Segundo o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), o juiz Alex Balmant suspendeu o julgamento devido ao não comparecimento do advogado, o qual foi punido por abandono de causa e terá que pagar que pagar a quantia de 60 salários-mínimos, o que equivale a R$ 56.220 mil.

Um novo advogado deverá ser contratado pela parte ré e uma nova data para o Júri Popular será marcada. O processo contra os réus tramita em segredo de Justiça.

Entre os acusados estão o proprietário da fazenda, três policiais militares e um amigo do fazendeiro responsável pela segurança clandestina. Os crimes aconteceram entre o final entre o final de janeiro e início de fevereiro de 2016.

O jovem de 23 anos foi encontrado carbonizado dentro de um automóvel na Linha 114, zona rural de Cujubim (RO), no dia 1° de fevereiro.

Entenda o caso

Conforme as investigações da Polícia Civil, duas reintegrações de posse foram cumpridas pela Justiça na propriedade rural para que invasores, os quais pertenciam a grupos sem terras, deixassem a área, mas em ambas as ocasiões, a propriedade foi invadida novamente.

Diante disto, o fazendeiro decidiu contratar um grupo de segurança privada clandestina, organizado por um amigo, que era o presidente da Associação Rural de Ji-Paraná (RO).

O proprietário da fazenda ofereceu R$ 105 mil ao amigo para efetuar o trabalho. A partir disto, o amigo ficou responsável em contratar os policiais militares que trabalhariam na segurança clandestina para proibir a aproximação ou entrada dos sem terras na localidade.

No dia 31 de janeiro ocorreu uma reintegração de posse na fazenda. No dia seguinte, um grupo de cinco rapazes foi até o local.

Eles teriam deixado o carro próximo a uma fazenda vizinha e teriam ido à pé até a propriedade para buscar pertences, já que eles não estavam no local no dia da reintegração e seriam parte integrante de um grupo que realizava invasões de terras na região.

No dia 1º de janeiro deste ano, o corpo de uma pessoa foi encontrado carbonizado dentro de um automóvel incendiado no mesmo local do desaparecimento dos jovens.

Após exames do Instituto Médico Legal (IML), o corpo foi identificado como o de Alysson Henrique.

Segundo a Polícia Militar (PM), as buscas por Lucas Hildebrandt iniciaram no dia 1° de fevereiro com auxílio da Força Tática, do Grupo de Operações Especiais (GOE), da aérea Falcão 02 e do grupo do canil do 2° BPM, de Ji-Paraná, além de apoio do Corpo de Bombeiros.

Mas o jovem não foi localizado pelos órgãos de segurança pública e as buscas foram suspensas quatro dias depois e o corpo dele não foi localizado até hoje.

Conforme o judiciário, um dos policiais envolvidos no homicídio trata-se de um sargento da reserva, de 49 anos, lotado em Ji-Paraná (RO). Os outros dois policiais acusados pertencem ao 7° Batalhão da Polícia Militar (BPM), lotados em Ariquemes e Cujubim, todos eles estão presos.

Os militares faziam parte do grupo de vigilância clandestina contratado pelo proprietário da fazenda, os quais chegaram a trocar tiros com a própria PM. Na época, um arsenal de armas de fogo que pertenciam ao grupo encarregado de vigiar a propriedade rural contra a invasão de sem terras foram encontrados.

 

Fonte: G1/RO

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